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A book is a body that cannot stand upright, made of margins and gaps, always falling into the interval.
The book as a performance The book bears the weight of the codex that has crossed empires, religions, and revolutions, but each time it opens, it stops being a monument and becomes an active instrument. Between hands and eyes, it organizes rhythms, distributes pauses, and demands movements: reading, more than a simple act of deciphering…
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O desejo de desejos: Pequena história ilustrada do bocejo infinito
Oblomov está deitado. O sofá ocupa a narrativa de Ivan Gontcharov, publicada em 1859, tanto quanto a própria personagem. Este sofá é mais do que apenas adereço cénico: é dispositivo narrativo e corpo simbólico. O romance satiriza uma aristocracia russa paralisada entre desejo e inércia e deu origem ao termo “oblomovismo”: força que devora a…
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The Twilight Zone: Publishing the Obsolete
The twilight zone: a space where light and shadow intersect, where day ceases to be day and night ceases to be night. It is a transitional area, an unstable interval where everything can acquire a new meaning. In the twilight, perceptions shift. What once appeared solid turns into a mystery, and what was dismissed reappears…
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The Twilight Zone: Publicar o Obsoleto
A zona crepuscular: um espaço onde a luz toca a sombra, onde o dia já não é dia e a noite já não é noite. Território de transição, intervalo instável em que tudo pode adquirir outro sentido. No crepúsculo, o real vacila. O que parecia sólido torna-se enigma. O que foi rejeitado regressa com outra…
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Atlas do Surrealismo Maquínico
Uma parte significativa da produção imagética feita por inteligência artificial apresenta elementos que associamos ao surreal, sobretudo quando os prompts são abertos e não direcionados para o fotorrealismo ou para uma representação naturalista. Este efeito deve ler-se como sintoma cultural. Yves Citton (2014), em L’économie de l’attention, recorda que a atenção funciona como ecologia coletiva: é…
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“O Senhor Cheira Bem” — Genealogia de um texto sobre IA, autoria e memória
“Fui à bomba de gasolina e quando estou a pagar diz a jovem na caixa:‘O senhor cheira bem’.Não consegues ter esta interação com o ChatGPT.”— Ricardo Araújo Pereira (Expresso) Quando se ouve alguém como Ricardo Araújo Pereira afirmar, com ironia certeira, que “não se consegue ter esta interação com o ChatGPT”, a frase ecoa de…
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Jusqu’ici Tout Va Bien (Até Aqui Está Tudo Bem)
Algumas histórias não avançam, caem lentamente. E, enquanto caem, há sempre alguém a repetir a mesma frase. “Jusqu’ici, tout va bien. Jusqu’ici, tout va bien. Jusqu’ici, tout va bien.”— La Haine, Mathieu Kassovitz “Para falar com um operador, primam 9. Para repetir este menu, primam asterisco. Para reconsiderar todas as escolhas de vida, mantenham-se na linha.”…
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O Acaso como Método: Francis Bacon e a Roleta da Inteligência Artificial
O gesto de gerar imagens com inteligência artificial não se limita a um comando executado por um software. Constitui-se como um território experimental onde a intenção humana e a opacidade algorítmica se encontram num regime de fricção. O utilizador formula um prompt, uma instrução em linguagem natural, aciona o sistema e aguarda um resultado que nunca…
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Corpos em Fricção: Derek Jarman e Outras Inscrições Desviantes
O corpo humano posiciona-se entre superfícies, gestos e trajectórias — quando se dobra para entrar num carro demasiado baixo ou adapta o passo à escorregadiça de um passeio. Esses momentos quotidianos revelam redes de orientação que articulam género, desejo, papel social e movimento. Por exemplo, um corpo que caminha de mão dada com outro do…
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Bodies in Friction: Derek Jarman and Other Deviant Inscriptions
The human body positions itself across surfaces, gestures, and trajectories—when it bends to get into a car that sits too low or adjusts its pace to match the slipperiness of a pavement. These everyday moments reveal networks of orientation that organize the articulation between gender, desire, role, and social movement. For example, a body walking…